B Fachada

by B Fachada

supported by
subscribers:
/
  • Immediate download of 6-track album in the high-quality format of your choice (MP3, FLAC, and more), plus unlimited streaming via the free Bandcamp app.

     €7 EUR  or more

     

1.
05:18
2.
3.
4.
06:40
5.
04:17
6.

about

ao Zeca, que nunca o trouxe pela mão.

ao amigo Pedro Mendonça, que me trouxe pela sabática até darmos com o nosso pifarinho.

à Mané e à Filipa que seguraram a barra enquanto um gritava ao microfone e o outro olhava para o computador.

um beijo a cada.

credits

released 29 July 2014

Tocado e cantado pelo próprio.

Produzido por B Fachada e Eduardo Vinhas não no estúdio Golden Pony (como vem sendo habitual): mais a sul. Era Junho de 2014.

Todas as canções feitas por B Fachada com o amigo Pedro Mendonça excepto "Já o tempo se habitua", está claro, que é de José Afonso.

Capa pelo mesmo a partir de recortes de origem popular.

tags

license

all rights reserved

feeds

feeds for this album, this artist
Track Name: Camuflado
Zecas e fraternidades
a sujar-me o babete
Gastámos a flor da vontade
a preparar um come back
Afogam-se as velhas vaidades
em saudades do prec
Aos anos que nesta cabeça
já não pousa gilete

Ponho o camuflado a render
Curiosamente a malta paga para ver
Ponho o camuflado a render
Curiosamente a malta paga para o vir ver

Guerras e tréguas e gacs
ficam escritos na pedra
Amordaçam-se as vanguardas
pés assentes na berra
O touro marra com força
o porco fuça na merda
Não há pau que de tão grosso
não precise de uma esfrega

Ponho o camuflado a render
Consequentemente a malta paga para ver
Ponho o camuflado a render
Aparentemente a malta paga para o vir ver


Acima da média
a vida não pára
Um beijo na cara
e fica bem
Esfolados à séria
com as facas na brasa
O doce da casa
e fica bem


Nem danças nem conversas
nem cantas o mau e o feio
Chegas tarde vens às cegas
debicar-nos o peito
Já não ladram as feras
apertámos-lhes o freio
É sempre hora da sossega
há sempre tempo para fumeiro

Desculpado o tarrafal
resolvida a cena na guiné
Largo rumo à catedral
para ver outro a sair do pontapé
Mais touriga nacional
mais medronho mais tempo no café
A tv foi ao local
para ver outro na ponta do pontapé



"A ovelha bale bale"
Bale um balido badalado
e bale bale a do lado por sua vez
"A ovelha bale bale"
Bale um balido embalado
e bale bale bale a do lado
Track Name: Um fandango ensaiadinho
No meio da cambada fura
Muita parra pouca dura
Há que dizê-lo: haja fartura
e quanta vairedade cultural
Em plena fase bera
vê que santa primavera
Enquanto o sol prospera
bota grelha e sementeira no quintal

Sapateiras e tunas
a brincar nas dunas
Quem é que fica à tona
só a bruxa e a matrona
Passo mal e o mal que não morda
Não ponho peixe na açorda
Pára e escuta
mais um rabo para a labuta


Para lá da portela pula
Os states são uma loucura
Surf poetas falo e chula
há sempre mais alguém para comprar
A pátria num barco à vela
é vê-la agora quem fica nela
Sete cães a cada trela
sobram seis sem mão a mandar

E esta modinha brusca
da cantiguinha patusca
Dá-se o mindinho
e a populaça puxa puxa
Manter a compostura
eu sei que facilita a leitura
É o mesmo abraço
com mais coca e mais cagaço


Uma na lapela
outra do barril
Duas na tigela
bagaço por funil
Foi por culpa dela
sozinha no desfile
Gritavam das janelas:
nem janeiras quanto mais abril


De caminha à manta-rota
lê-se a literatura toda
Três pintoras coisa pouca
Iscas e pastéis vamos embora
Nem se pratica a morena
Somos todos iguais é a cena
Solução que põe outro problema
e assim por aí fora

Deu-se o tempo
Deu-se o cabelo ao vento
Deram-se aos filhos as mamadas
e aos crescidos deu-se o alimento
Pelo menos
enquanto formos pequenos
Temos muito mais sabor
como as laranjas que esprememos



O bem que não fazia em meu lugar
uma banda para tocar o vira
Um fandango ensaiadinho ia bombar
Quantas taças cheias ao luar
e ninguém a trabalhar a lira
Um fandango ensaiadinho vou te contar
o bem que não fazia em meu lugar
Track Name: Dá mais música à bófia
Primeira noite quente
mais uma lambreta na messe
Quem é que se apresenta
quem vai ver o que acontece
Leva a charanga toda
que essa bota já mexe
é é
mexe

As fardas vão de carro
e os paisanas seguem a ralé
Os outros passaram
para além do cais do sodré
O chegadinho é tal
que o povo canta todo em pé
é é
em pé:


A polícia fica louca
quando a canção cabe na boca


No meio da via
bacia com bacia
empurra em sintonia com o de trás
Apaziguam-se os agentes da paz
E a carícia intensifica a cada flash

Vermelho luzia
o suor escorria
e o povo que assistia
já sabia doutra vez:
Não dances onde não deves
senão comes onde não queres
Folga o resto da cidade sem vocês



Tantas forças numa parada
paradas para dançar
Tantas facas juntas sem queijo
sem queijo para mostrar
Deixam sempre uns quantos pintelhos
pintelhos por rapar
Ouve os meus conselhos
estou velho
e mais velho vou ficar

Sabes que o bigode
já não está na moda
nem com buços do vinho
dá mais música à bófia
Chegas para o pagode
já não está na hora
é mais um prego no preto
e um tirinho para a memória
dá música à bófia

Um tirinho para a memória
dá mais música à bófia


Sacode-a
Bota abaixo
Um passo em falso
e o cinto encaixa
Pega
Pega
a pegar no colega

Esfrega
Esfrega
a esfregar no colega
Track Name: Crus
Não fica confuso
por coisa que o valha
Tens o teu amigo
O amor nunca atrapalha

Ouve o pardalinho
no meio da maralha
Leva o teu amigo
O amor nunca atrapalha


Lua nova e o mar a bater-nos
Saliva pela gruta
cacimba da boca
Peixinhos e pirilampos

Ou no mato
uma perna a fechar-se na gola
Maminhas maduras que espreitam
do meio do nevoeiro

No sofá
bom
No banho
convívio
Paleolítico contra o granito
ou no tojo ou nas escadas da sé

Maleducados
Deitados ao comprido
Mais místicos e dísticos
Ai ricos vícios por compreender


Depois não digas que não gostas
gostas
De mais perguntas que respostas
gostas
Ter as lembranças todas tortas
gostas
O mar pela frente e a cruz às costas
gostas
gostas


Na varanda
na cara do bairro
Coragem estamina
franguinhos meloas
Mirones e saltimbancos

Ou num barco
no mar da escandinávia
Uns dedões matulões que espreitam
do meio dos marinheiros

Já nem se fala das asneiras com as amigas
Tu com os copos
e elas perdidas
Barrigas que nunca mais vês

Quem diria que havia no meio do risco
um abrigo
Um consolo que fica contigo
e fermenta a valer


Tens o diabo no corpo e a voz da razão
(chega de tiros para o ar com pistolas de cartão)
Tens liberdades no bolso e algemas na mão
(chega de tiros para o ar com pistolas de cartão)


Ai Ximena a vida é quarentena
Ai Ximena
Ai Ximena é o bicho da gangrena
Ai Ximena
Ai Ximena a idade do dilema
Ai Ximena
Ai Ximena afinal foi doce e plena
Ai Ximena
Ai Ximena
Track Name: Pifarinho
Leva canalha a mão à descoberta
o pífaro levanta-te a poeira do caminho
Trazes navalha
queres guardar a serra
mas a farra lá de baixo já te apanha cá no cimo
Por todo o lado os fumos das panelas
levantam cornucópias como flores o rosmaninho
Cabras douradas levam-te pela trela
rumo a bombos e farturas de alemanhas
Põe mais lenha no cachimbo


Deixei a minha porta aberta
"Reich
ich bin ein Poltergeist"


A mata aperta
a noite escura
alguém respira ao teu ouvido
Segues alerta
ficas à escuta
e o teu rebanho cala-se contigo
Tresanda a festa
tresanda a ditadura
O vale é que projecta o teu castigo
Não sabem do mal que os espera
tens a vista turva
Tens cachimbo tens paixão
e já sentes a batida no umbigo

Do nada uma fogueira
e em volta 124 louras sem vergonha nem saias
Deitadas na eira
em caminhas de trevos
com os relevos às chamas encarnadas
Chocalha a tenda
E por cima das peitaças pifarinho aprende línguas bárbaras:
"Reich
ich bin ein Poltergeist"



Suar e lutar
nunca pensei
como me fica bem
Comer e mamar
ai nunca pensei
como me fica bem
Soprar a matar
ai ai nunca pensei
Como me fica bem
sair a pastar
Track Name: Já o tempo se habitua (Zeca)
"Nem o voo do milhano
ao vento leste
Nem a rota da gaivota
ao vento norte
Nem toda a força do pano
todo o ano
Quebra a proa do mais forte

Nem a morte"